Leo R. Elias

– brilho na imagem + densidade no desejo.
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Algumas pessoas acreditam que quanto mais se analisarem, mais certezas terão sobre si.

Às vezes, quanto mais alguém se analisa, maiores são as dúvidas sobre quem ela é, o que quer e como está tocando a vida.

Nessa etapa, pode-se tornar evidente que muitas das escolhas consideradas próprias foram, na verdade, reflexo da influência de outras pessoas ou da vontade de sair bem na foto.

Quando se chega nesse ponto, há quem prefira parar e buscar alguém que diga quem ela é ou que apenas confirme o que já pensa sobre si.

Justamente para manter a vida que tem, o status social que tem, o emprego que tem, o grupo de amigos que tem, mas que geram grandes conflitos internos e sofrimento.

O ganho aqui viria das suas satisfações narcísicas, de imagem, acima e desconectadas das do desejo próprio.

O problema não é o narcisismo em si, mas o excesso de investimento de energia (libidinal) nas imagens, quando elas passam a encobrir o desejo.

Quando o sujeito fica preso às imagens ideais de si mesmo, ao olhar do outro, à busca por perfeição, ele se afasta do desejo que o habita.

A análise visa desfazer o apego à busca por imagens ideais e alienantes, mas não para abolir o narcisismo ou o ego (que também são importantes), e sim para o sujeito poder investir mais no que pulsa dentro de si, e como consequência, diminuir os conflitos que geram sofrimento e poder até ter outra posição narcísica, menos prejudicial ao gozo da vida.

Menos brilho na imagem e mais densidade no desejo.

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